Sérgio Sacani destaca como IA, energia e minerais estão moldando a geopolítica

  • 14/10/2026
(Foto: Reprodução)
Sérgio Sacani foi a atração mais aguarda do Siará tech Summit Sebrae/CE A corrida pela inteligência artificial já ultrapassou o campo da tecnologia e passou a influenciar decisões sobre energia, minerais estratégicos e exploração espacial. Essa foi a principal provocação levada por Sérgio Sacani ao encerramento do Siará Tech Summit, ao relacionar o avanço da IA às novas disputas geopolíticas globais. Geofísico, pesquisador e divulgador científico, Sacani apresentou o que chamou de “triângulo do futuro”, formado por inteligência artificial, exploração da Lua e terras raras. “Uma das coisas é a exploração da Lua, inteligência artificial e terras raras e como essas três coisas estão conectadas e influenciando a geopolítica mundial. Eu chamo isso de triângulo do futuro. Quem dominar isso vai dominar o planeta”, afirmou. Segundo ele, uma das principais questões está na quantidade crescente de infraestrutura necessária para sustentar os sistemas de IA. Quanto mais complexos os modelos, maior a demanda por capacidade de processamento, chips, data centers, energia e água para resfriamento. “Para rodar esses parâmetros eu preciso de GPU, dessas unidades de processamento. E no coração dessas GPUs estão os chips. O mercado global de chips está crescendo exponencialmente”, explicou. Sacani destacou que essa infraestrutura transforma energia e matérias-primas em elementos estratégicos. Na avaliação dele, o avanço da inteligência artificial tende a aumentar significativamente o consumo energético global nos próximos anos, pressionando países a buscar novas fontes e ampliar sua capacidade de geração. É nesse cenário que entram as chamadas terras raras e outros minerais críticos utilizados na fabricação de componentes tecnológicos. “Os nossos celulares são compostos por uma quantidade enorme desses minerais. E eles também estão presentes na indústria de defesa e no desenvolvimento dos chips”, afirmou. Durante a palestra, Sacani chamou atenção para o papel que o Brasil pode ocupar nesse mercado. Segundo ele, o País possui grandes reservas de terras raras, o que amplia sua importância em uma cadeia global cada vez mais estratégica para tecnologia, defesa e inteligência artificial. A exploração espacial também passa a integrar essa equação. Para Sacani, o interesse crescente de países como Estados Unidos e China pela Lua não está relacionado apenas à pesquisa científica, mas também ao acesso futuro a recursos capazes de sustentar novas tecnologias e matrizes energéticas. “Por que precisamos falar sobre a Lua para discutir inteligência artificial? Porque a IA precisa de uma quantidade absurda de energia. A Terra tem limites físicos, e a fronteira lunar aparece como uma possibilidade para o futuro”, afirmou. Ao conectar inteligência artificial, chips, energia, minerais críticos e exploração espacial, Sacani reforçou que a transformação tecnológica também está reorganizando relações econômicas e políticas entre os países. Para ele, o avanço da IA não deve ser analisado apenas pelo que ferramentas digitais já conseguem fazer hoje, mas também pela infraestrutura necessária para sustentá-las e por quem será capaz de controlar os recursos estratégicos que movimentam essa nova economia.

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/especial-publicitario/especial-publicitario-sebrae-ceara/inovacao-e-negocios/noticia/2026/10/14/sergio-sacani-destaca-como-ia-energia-e-minerais-estao-moldando-a-geopolitica.ghtml


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